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Projeto de Marcel van Hattem limita alta do IOF por decreto do governo

19 de junho de 2026 · por Redação Direita Nacional
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A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que impõe limites às alíquotas e aos aumentos do Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF.

A proposta é de autoria do deputado Marcel van Hattem, do Novo do Rio Grande do Sul, e outros parlamentares. O parecer favorável foi apresentado pelo deputado Mauricio Marcon, do PL do Rio Grande do Sul.

O texto busca reduzir a margem de atuação do Poder Executivo para elevar o imposto por decreto, com efeito imediato e sem aprovação prévia do Congresso Nacional.

Menos espaço para aumento por decreto

Atualmente, o governo pode alterar as alíquotas do IOF por decreto, desde que respeite os limites máximos previstos em lei.

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Na prática, isso permite mudanças rápidas na tributação sobre operações de crédito, câmbio, seguro, títulos, valores mobiliários, ouro e instrumentos cambiais.

O projeto aprovado mantém a possibilidade de alteração pelo Executivo para atender objetivos de política monetária e cambial, mas cria tetos mais rígidos e limita os aumentos anuais.

A medida busca impedir que o imposto seja usado como ferramenta de arrecadação imediata sem debate mais amplo no Congresso.

Previsibilidade para quem produz

O IOF afeta diretamente operações de crédito, câmbio, seguros, investimentos e outras movimentações financeiras.

Quando suas alíquotas sobem de forma repentina, o custo chega a empresas, consumidores, investidores e trabalhadores.

Para os defensores da proposta, a economia precisa de regras claras e estabilidade para crescer. Sem previsibilidade tributária, o setor produtivo adia investimentos, reduz planejamento e enfrenta mais insegurança.

A proposta tenta limitar esse cenário ao reduzir a margem de “canetada” tributária do Executivo.

Projeto atualiza tetos do imposto

O texto aprovado estabelece alíquotas máximas para diferentes modalidades de cobrança do IOF.

Nas operações de crédito, a alíquota máxima passa a ser de 0,0041% ao dia, com possibilidade de adicional fixo máximo de 0,38% sobre o valor liberado.

Nas operações de câmbio, a alíquota máxima será de 0,38%, com exceções específicas para determinadas operações, como empréstimos externos e aquisição de moeda estrangeira em espécie.

O projeto também define limites para seguros, títulos, valores mobiliários, ouro como ativo financeiro e contratos derivativos.

Aumentos anuais terão limite

Além de atualizar tetos, a proposta cria limites para aumentos feitos ao longo do ano.

O somatório das elevações não poderá ultrapassar 10% para operações de câmbio, 7% para operações de crédito e 2,5% para operações de seguro, títulos ou valores mobiliários, ouro ativo financeiro ou instrumento cambial.

O texto também cria regra específica para situações em que uma modalidade iniciar o ano com alíquota zero.

Nesses casos, o primeiro aumento anual ficará limitado a 50% da maior alíquota aplicada àquela modalidade, ou modalidade semelhante, nos cinco anos anteriores.

Congresso precisa participar do debate tributário

A proposta toca em um ponto sensível da relação entre governo, Congresso e contribuinte.

Aumentar imposto por decreto pode ser rápido para o Executivo, mas gera impacto direto sobre quem trabalha, empreende, consome e investe.

Por isso, limitar esse poder é uma forma de reforçar o papel do Legislativo e impedir que aumentos tributários relevantes ocorram sem maior debate público.

O contribuinte não pode ser tratado como solução automática para o descontrole das contas públicas.

Pauta dialoga com responsabilidade fiscal

O avanço do projeto ocorre em meio a críticas ao aumento de arrecadação e à expansão dos gastos públicos.

Para o campo conservador, a resposta correta para desequilíbrio fiscal não deve ser simplesmente aumentar impostos. O caminho passa por controle de despesas, eficiência administrativa e respeito ao dinheiro produzido pela sociedade.

Nesse sentido, o projeto de Marcel van Hattem, relatado por Mauricio Marcon, reforça uma agenda de responsabilidade fiscal, previsibilidade e menor peso do Estado sobre o cidadão.

Projeto ainda precisa avançar

Apesar da aprovação na Comissão de Desenvolvimento Econômico, o texto ainda não virou lei.

A proposta tramita em caráter conclusivo e seguirá para análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para entrar em vigor, ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Menos improviso, mais segurança econômica

O debate sobre o IOF vai além de uma disputa técnica sobre alíquotas.

A questão central é saber até onde o governo pode aumentar tributos de forma rápida, sem discussão mais ampla com o Parlamento e com a sociedade.

A previsibilidade tributária é essencial para investimento, emprego, crédito e crescimento econômico.

Ao limitar a margem de alta do IOF por decreto, o projeto busca reduzir improvisos, fortalecer o controle institucional e dar mais segurança a quem produz e paga a conta.

Em um país já marcado por alta carga tributária, qualquer proposta que imponha freios ao aumento de impostos merece atenção do Congresso e da sociedade.

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